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segunda-feira, 27 de julho de 2015

EJA Mundo do Trabalho

Uma das principais dificuldades encontradas por professores que atuam na educação de jovens e adultos é a escassez de material didático específico para esta modalidade. A maior parte dos materiais didáticos produzidos pelas editoras e sistemas de ensino, não são completamente adequados à realidade da EJA, muitas vezes porque são sistematizados para o tempo e para a carga horária da escola regular, ou porque fazem uso de linguagem destinada ao público infantil. 

EJA – Mundo do Trabalho é um programa do Governo do Estado de São Paulo, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI), que, por meio de parcerias com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE) e com as Secretarias Municipais de Educação, procura oferecer educação para jovens e adultos, com conteúdos que dialogam diretamente com o mundo do trabalho. No âmbito do Programa é de responsabilidade da SDECTI fornecer os materiais didáticos elaborados especialmente para as aulas e, ainda, capacitar os professores, no que se refere à concepção e à proposta metodológica do Programa. Cabe às prefeituras e a SEE, a contratação de professores e a disponibilização de infraestrutura e logística necessárias para a execução do Programa. 

Desta forma, o programa depende da adesão das prefeituras, que se encarregam do suporte material e pessoal para oferecerem salas de EJA com uso do material e capacitação promovida pela Fundação de Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP). No âmbito da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a parceria se dá apenas nos 31 Centros Estaduais de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) espalhados pelo estado e como metodologia baseada no ensino individualizado, presença flexível e eliminação de disciplinas. 

De acordo com seu portal, são seus pressupostos:

1. O reconhecimento de que o acesso à educação pública e a permanência nela é um direito dos cidadãos a ser garantido pelas políticas públicas a qualquer tempo. Nesse sentido, a educação de jovens e adultos é, antes de tudo, um resgate à dívida social que se tem em razão do impedimento de exercer o direito aos estudos na idade adequada. 

2. A percepção de que jovens e adultos que retornam à escola têm o mundo do trabalho como um locus privilegiado, posto que dialoga diretamente com seu cotidiano. Por essa razão, elegeu-se o trabalho como eixo estruturante do Programa, e o conjunto do material elaborado, além de estabelecer um diálogo permanente com esse tema, inclui a disciplina Trabalho na parte diversificada do currículo. Nela são estudados conteúdos relativos à compreensão da evolução do trabalho na história, e também aspectos que auxiliam os estudantes na construção do seu currículo, na procura do primeiro ou de um novo emprego e, principalmente, no reconhecimento dos conhecimentos que acumulou durante a vida. 

3. O reconhecimento e respeito à heterogeneidade das experiências de vida, conhecimentos e convicções do público de jovens e adultos que frequenta as classes da EJA. 

O portal EJA Mundo do Trabalho oferece alguns conteúdos que podem ser de grande valia para professores, gestores e alunos da EJA:

  • Conteúdos: são disponibilizados os cadernos do aluno e do professor (precisa de senha) e os vídeos de apoio pedagógico. O material é um Recurso Educacional Aberto (REA) e, desde que , pode ser utilizado por qualquer professor e qualquer estudante. Há material para EJA regular e outro específico para o CEEJA, tanto de ensino fundamental II, quanto ensino médio.
  • Sala dos Professores: um espaço destinado ao debate e ao compartilhamento de ideias, experiências e resultados que obtiveram na Educação de Jovens e Adultos. Lá também o professor poderá esclarecer dúvidas sobre o Programa e a utilização do material; compartilhar metodologias, problemas e soluções; encontrar referências bibliográficas; comunicar-se com os professores da mesma ou de outra disciplina em outros municípios etc. 
  • Professor On-Line: além do material didático que utiliza em suas aulas - os Cadernos do Estudante e os vídeos de apoio —, o aluno também pode contar com o Professor On-Line, que vai oferecer orientações para estudar e contribuir com o seu aprendizado.
Vale a pena conhecer!


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Programa Roda de Conversa: Os desafios da Educação de Jovens e Adultos

Em março de 2014, o Programa Roda de Conversa, veiculado pela TV Rede Minas, reuniu três grandes referências da pesquisa sobre educação de jovens e adultos no Brasil:

  • Prof. Dr. Geraldo Leôncio Soares, Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Prof. Dra. Jane Paiva, Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro  (UFRJ)
  • Prof. Dra. Maria Clara di Pierro, Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)
O Programa, mediado pelo apresentador Marcílo Lana,  aborda diversos temas sobre a educação de jovens e adultos em três blocos de cerca de 20 minutos como:

Perfil e especificidades do aluno adulto.
Hipóteses que justifiquem a queda generalizada das matrículas.
Possíveis causas da elevada evasão escolar na EJA.
Proposta pedagógica, autonomia e currículo da EJA.
Superação do modelo Supletivo de aligeiramento.
Políticas públicas para EJA.
Juvenilização da EJA
•  Formação de professores para atuar na EJA.
•  Modelo dos centros de ensino individualizado e flexível.
•  A discriminação da EJA nas redes de ensino.

A reunião dos pesquisadores neste debate contribui muito para a reflexão de diversos aspectos da EJA. As discussões trazem dados novos de pesquisas e condições para novos pesquisadores, professores, gestores e estudantes se aproximarem deste campo. Recomendo os vídeos para todos os interessados em compreender melhor a educação de jovens e adultos no Brasil.

Bloco 01

Bloco 02

Bloco 03

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Entraves para a Educação de Jovens e Adultos no Brasil

Quais são os entraves da educação de jovens adultos no Brasil? No campo das políticas educacionais e da reflexão pedagógica, a educação de jovens e adultos é comumente colocada em posição secundária em relação à educação de crianças e adolescentes. Entretanto, em uma abordagem mais ampla e sistêmica da educação, a educação de jovens e adultos pode ser considerada “como uma das arenas importantes onde vêm se empreendendo esforços para a democratização do acesso ao conhecimento” (DI PIERRO; JOIA; RIBEIRO, 2001, p. 58). Há basicamente três grandes entraves para a educação de jovens e adultos que devem ser levados em conta  ao discuti-la neste blog:
1. O primeiro se refere à predominância da ideia de educação compensatória na educação de adultos. Esta visão está ligada à concepção do ensino supletivo, isto é, a reposição de estudos não realizados na infância e na adolescência. 
Ao dirigir o olhar para a falta de experiência e conhecimento escolar dos jovens e adultos, a concepção compensatória nutre visões preconceituosas que subestimam os alunos, dificulta que os professores valorizem a cultura popular e reconheçam os conhecimentos adquiridos pelos educandos no convívio social e no trabalho (DI PIERRO, 2005, p.1118).
Esta visão se limita apenas a reproduzir as práticas e o currículo das escolas regulares. Como ela representa um modelo de suplência, mais acelerado que a educação básica regular, é disponibilizado ainda menos tempo para que o aluno tenha contato o ambiente escolar e encontrar possibilidades de emancipação. 
2. O currículo da educação de jovens e adultos é também uma reprodução da perspectiva cientificista de toda a educação básica. Este é o segundo entrave da educação de jovens e adultos porque, nesta modalidade, o ensino se mantém excessivamente “tecnicista e disciplinarista, o que dificulta o estabelecimento de diálogos entre experiências vividas, os saberes anteriormente tecidos pelos educandos e os conteúdos escolares” (OLIVEIRA, 2007, p.86). Desta forma, o currículo engessado, o formalismo e a fragmentação dos saberes precisam ser superados para se almejar uma educação de adultos, em que não faz sentido pressupor uma trajetória única para todos os sujeitos, que ao menos projete o empoderamento. 
3. O terceiro entrave está relacionado ao processo de formação de professores para atuar na educação de jovens e adultos. Há, segundo Ribeiro (1999), a falta de formação específica dos educadores que atuam nessa modalidade de ensino, resultando numa transposição inadequada do modelo da educação básica regular. Este entrave implica em dois outros problemas: a infantilização dos sujeitos e o surgimento de uma visão assistencialista da educação de jovens e adultos.
Como forma de superar estes problemas, Ribeiro (1999) propõe “a valorização do diálogo como princípio educativo, com a decorrente assimilação da noção de reciprocidade na relação professor-aluno” (RIBEIRO, 1999, p. 193). A autora também aponta para a necessidade de romper com a visão assistencialista, isto é, vista como uma ação de caráter voluntário, marcada pela doação, favor, missão e movida pela solidariedade. É preciso que o educador aborde sempre “a noção de educação como direito de todos e incentivando-os a assumir responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento e pelo desenvolvimento social” (RIBIERO, 1999, p.193).
E você, poderia apontar mais algum entrave que desafia a educação de jovens e adultos no Brasil?

Referências:
DI PIERRO, Maria Clara; JOIA, Orlando; RIBEIRO, Vera Masagão. Visões da Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Caderno Cedes, ano XXI, n. 55, p. 58-77, 2001.

DI PIERO, Maria Clara. Notas sobra a redefinição da identidade e das políticas públicas de educação de jovens e adultos no Brasil. Educação e Sociedade, vol. 26, n. 92, p.1115-1139, 2005.

OLIVEIRA, Marta Kohl. Jovens e Adultos como Sujeitos de Conhecimento e Aprendizagem. In.: MASAGÃO, Vera Ribeiro (org.) Educação de Jovens e Adultos: novos leitores, novas leituras. São Paulo: Mercado das Letras, 2001

RIBEIRO, Vera Masagão. A Formação de Educadores e a Constituição da Educação de Jovens e Adultos como Campo Pedagógico. Educação e Sociedade, ano XX, n.68, p.184-201, 1999.