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domingo, 16 de agosto de 2015

De que EJA estamos falando?

Quando ouvimos falar em educação de jovens e adultos, nem sempre temos clareza do qual ideia de EJA está sendo abordada. Na maioria das vezes, o termo nos leva a pensar na alfabetização ou na escolarização de adultos. O campo da EJA, no entanto, vai além da oferta de cursos de alfabetização ou abertura de salas de aula e centros especializados nas redes de ensino. O campo da EJA engloba outros núcleos que precisam de atenção de pesquisadores, educadores e políticas públicas.

Núcleo 1: Alfabetização e escolarização básica de pessoas com 14 anos ou mais, em cursos e exames.

Trata-se da associação mais comum que fazemos do termo EJA. Ela se refere à formação do jovem e do adulto para os saberes escolares e à prática da alfabetização e letramento. Na maioria das vezes, o currículo é bastante fechado e espelhado nas mesmas competências da educação regular de crianças e adolescentes. Neste blog, o foco principal, por uma opção de seu autor, ainda é pensar a EJA a partir desta esfera, especialmente por ser este o meu objeto de pesquisa e meu local de trabalho.

A alfabetização e a escolarização básica de pessoas com 14 anos ou mais, em cursos e exames é promovida principalmente pelo Estado, nas redes de ensino municipais, estaduais e federal. Entretanto, especialmente no que se refere a projetos de alfabetização, também há forte atuação de ONGs e movimentos sociais. Em muitos programas e projetos, são incluídas também habilidades para o trabalho, mas não se tratam exatamente de profissionalização.

Núcleo 2: Educação continuada de trabalhadores com baixa escolaridade

Trata-se da educação promovida por empresas, escolas técnicas, Sistema S e sindicatos, normalmente estruturadas em pequenos cursos e totalmente voltadas para a promoção de habilidades entendidas como necessárias para o mundo do trabalho. Em relação à isto, é muito importante que os especialistas pensem as escolas técnicas e outros espaços de formação profissional como espaços de educação de jovens e adultos. É relevante também conhecermos experiências de associação entre a EJA da educação básica e a EJA profissionalizante, como o projeto PROEJA.

Núcleo 3: Educação popular não formal

Trata-se do processo educacional não formal, que se dá fora do ambiente escolar e da organização dos sistemas de ensino. Ela está ligada à ações de cidadania e participação em assuntos públicos, na maioria das vezes promovidas por agentes públicos, ONGs, movimentos sociais e universidades. Essas ações comumente estão ligadas à temas como saúde, proteção ao meio ambiente e desenvolvimento comunitário. Elas partem do princípio do empoderamento das minorias e da população mais pobre. 

É preciso, portanto, pensarmos de qual EJA estamos falando. Os três núcleos são de grande importância para a compreensão acadêmica e para a ação política.